300 mil mulheres negras do Brasil ocupam Brasília por reparação e bem viver
Parlamentares do PT marcam presença e reforçam compromisso do partido com a luta do movimento negro feminino brasileiro
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Apesar da forte chuva que caiu nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (25), Brasília amanheceu energizada pela força e pela união do movimento negro feminino brasileiro. Mais de 300 mil mulheres, além de representantes de mais de 40 países, ocuparam as ruas da Esplanada dos Ministérios em busca de peças e bem viver. Depois de 10 anos, a mobilização da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras colocou em pauta direitos básicos desses segmentos da população — como moradia, emprego, segurança, combate à violência e ações de acessórios.
As mulheres negras do PT participaram do ato, demonstrando a unidade do maior partido da América Latina na defesa das pautas e dos direitos referentes a questões que compõem 28% da população brasileira. Para homenagear a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), a Fundação Perseu Abramo (FPA) e as Secretarias Nacionais de Mulheres e de Combate ao Racismo montaram a Tenda Beneditas, que serviu como ponto de apoio e encontro para todas as companheiras do partido.
A secretária nacional de Mulheres do PT, Anne Moura, celebrou a união das mulheres negras petistas de todo o Brasil na marcha histórica. “Muitos movimentos se organizaram para que a gente chegasse até aqui. E hoje, que é um dia muito importante de enfrentamento a todo tipo de violência, marchamos ao lado das mulheres negras, que são as maiores vítimas de violência e do empobrecimento social em todo o país. Elas, que são chefes de família em tantos lugares, que cuidam dos seus filhos, que perdem seus filhos para a violência, e nós não podíamos deixar de estar aqui ao lado delas”, explicou.
Benedita — grande símbolo político e social do movimento negro feminino brasileiro — discursou no trio para as milhares de mulheres: “Nós estamos aqui pelo bem viver e somos muito mais do que na primeira marcha. Mulher negra com voz e vez, com força.”
Ouça o Boletim da Rádio PT sobre a Marcha das Mulheres
Mulheres negras do PT destacam importância do ato
Nádia Garcia, secretária nacional da Juventude do PT, informou que muitas companheiras que hoje integram a Secretaria, na época da primeira marcha, realizada em 2015, ainda não estavam inseridas no movimento político, devido à pouca idade.
“A 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, que acontece 10 anos depois da, é muito importante para nós, da primeira juventude do PT. Muitas das nossas jovens meninas negras não puderam participar da marcha de 2015 porque eram crianças ou ainda não estavam organizadas; eram muito jovens na militância. Mas neste ano nós viemos para ocupar, construir, ajudar e somar a força das jovens mulheres negras do PT a este movimento fundamental para a nossa luta”, destacou.
A vereadora carioca Tainá de Paula (PT-RJ) comemorou o reencontro das mulheres negras no ato: “Nós estamos aqui, 10 anos depois, reembolsando a nossa Marcha das Mulheres Negras. Marchamos por peças, por bem viver, pelo fim do racismo ambiental e, sem dúvida, por uma agenda que não extermina nossos filhos e filhas. Nós, mulheres negras, resistimos.”
Janaína Fernandes, secretária adjunta de Combate ao Racismo, destacou o papel das mulheres negras do PT na luta desde a marcha primeira, em 2015, destacando todo o trabalho de mobilização nacional e estadual realizado pelas diferentes instâncias da legenda para o grande dia de hoje.
“É importante lembrar que as mulheres negras petistas sempre se desenvolveram para a luta, desde antes da primeira marcha. As mulheres negras do PT se organizaram para estar aqui hoje, mobilizando as companheiras petistas de todos os estados. Esta marcha é muito importante e significativa para todos nós que estamos na rua lutando pelo direito à vida, pelos recursos e pelo bem viver”, afirmou.
A secretária-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Mazé Morais, que já coordenou duas Marchas das Margaridas, também comentou a importância dos dados e do movimento das mulheres petistas.
“Eu, que sou uma mulher negra nordestina, também eu sou a esta marcha. Este momento é muito gratificante, pois estamos reafirmando nossa luta e resistência enquanto mulheres negras, enquanto mulheres petistas, enquanto mulheres nordestinas. Seguiremos juntas nessa caminhada de luta para defender o direito de todas as mulheres negras do nosso Brasil”, defendeu.
Também presente na Tenda Beneditas, a deputada estadual Divaneide Basílio (PT-RN) enfatizou que o Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores avançou muito na diversidade, incluindo todas as identidades. Para ela, realizar um ato que coloque as mulheres negras no centro do debate para enfrentar o racismo, empoderá-las e reconstruir uma sociedade que tanto como massacra é urgente: “O racismo é perverso para todos. Mas, para as mulheres, ele é uma adição gigantesca, porque são elas que estão chefiando as famílias, cuidando das outras pessoas, cuidando de outras classes sociais. É importante dizer que esse debate é de gênero, raça e classe, e as mulheres negras são a maioria da população empobrecida do nosso país”, alertou.
Apoio à futura senadora do Brasil
Benedita da Silva foi o grande nome da Marcha. No auge de seus 83 anos, a liderança carioca é admirada por todas as mulheres. Ela fala, e todas se calam. Há um forte clamor para que a disputa do Senado nas próximas eleições. Benedita inspira os mais jovens a ocupar a política com rostos negros e origens periféricas, para que a política tenha, de fato, a cara do Brasil — negro e feminino.
Audiência na Câmara dos Deputados
As lideranças negras do partido participaram do ato, que contam com a presença da década Benedita da Silva (PT-RJ), da ministra das Mulheres, Márcia Lopes; da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; da ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo; e da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
A deputada federal Jack Rocha (PT-ES), coordenadora-geral dos Direitos da Mulher da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, frisou a importância da Marcha para além de um ato político: “É um projeto político de país”. O petista reforçou a necessidade de mais representantes no Parlamento, mais espaço no orçamento e um Brasil antirracista. “Um projeto que olhe para as mulheres negras com mais respeito, mais dignidade e mais condições de transformar uma política em instrumento de transformação.”
Da Redação do Elas por Elas, com informações do PT na Câmara e da Marcha das Mulheres Negras

