O que acontece com o corpo quando paramos de comer açúcar?

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Quando falamos em açúcar, costumamos pensar logo em doces, mas a glicose de
que precisamos - e que é gerada após o processamento do açúcar no organismo -
pode ser obtida também por meio de diversos alimentos saudáveis, como batatas,
mandiocas, leite, frutas e até verduras, entre outros. 🍠
Se por um lado sabemos que os
carboidratos são suficientes para gerar a glicose que precisamos, também temos
consciência de que é difícil eliminar por completo o consumo do açúcar
artificial que é adicionado a doces e bebidas, por exemplo.
🧁 🚨 O fato é que não
precisamos de açúcares artificiais – como o refinado - e, quando
conseguimos eliminá-los, diversas mudanças podem ocorrer- tanto físicas quanto
psicológicas:
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🧍 Tendência
a redução da gordura corporal, com a adequação do peso:
existe também uma redução da gordura visceral, que se acumula dentro da
cavidade abdominal e pode interferir no funcionamento de diversos órgãos;
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💪 Melhora na disposição para atividades
rotineiras e para a prática de exercícios físicos.
Porém, nos primeiros dias, é comum sentir fadiga ou falta de energia. Isso
ocorre porque o corpo está se ajustando à ausência de açúcar, que é uma fonte
rápida de energia. Mas se o indivíduo não cortar os carboidratos, que são
essenciais, logo o organismo se acostuma.
·
😀 Melhora no humor:
porém, algumas pessoas relatam irritabilidade logo que param de consumir
açúcar. Isso pode ser resultado da adaptação do cérebro à falta de dopamina,
que é liberada quando consumimos açúcar. Mas uma vez vale destacar a
importância dos carboidratos para o organismo.
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⚠️ Diminuição das inflamações;
·
Melhora
na saúde metabólica: a redução do açúcar artificial pode melhorar a
sensibilidade à insulina e diminuir o risco de doenças como diabetes tipo 2,
doenças cardiovasculares, obesidade, doença hepática gordurosa e cáries
dentárias. Porém, se a pessoa já tem diabetes, por exemplo, facilita muito o
controle da doença.
·
😴 Melhora no sono
Ao
parar de consumir açúcar artificial, a massa gordurosa é reduzida. A inflamação
do corpo também é reduzida, assim como a probabilidade de adoecimento. O
estômago se esvazia de uma forma mais efetiva, o indivíduo digere melhor os
alimentos e aproveita melhor os nutrientes”, explica o médico especialista em
Terapia Nutricional e Gastroenterologia Juliano Antunes Machado, da Rede Mater
Dei de Saúde.
JÁ
OS CARBOIDRATOS NÃO PODEM NUNCA SER ELIMINADOS DA DIETA! Isso porque a
glicose desempenha funções essenciais no nosso organismo. O que precisamos é
selecionar a origem dos carboidratos. E isso inclui priorizar frutas, leguminosas
e cereais.
Assim, além da maior oferta de fibras
e carboidratos complexos encontrados na natureza (moléculas grandes que
precisam ser digeridas ao longo do nosso trato digestivo), conseguimos atingir
as necessidades nutricionais em termos de vitaminas e minerais.
“O nosso mais nobre tecido ou órgão,
que é o sistema nervoso central, e os neurônios periféricos dos nervos usam
quase que exclusivamente a glicose como fonte de energia”, destaca o
endocrinologista e pesquisador em obesidade e diabetes na Unicamp Bruno
Geloneze.
📋 PARA
ENTENDER MELHOR: os carboidratos são nutrientes
essenciais para o funcionamento do organismo e a fonte mais abundante de
energia. Eles estão presentes em praticamente todos os alimentos e podem ser
divididos em: açúcares, amidos e fibras.
Sempre
que ingerimos algum carboidrato, seja açúcar ou amido, eles são transformados
em glicose, que é absorvida e enviada a nossas células para que se cumpra a
função de fornecimento de energia. Cerca de 50% das calorias que ingerimos
devem vir de carboidratos, preferencialmente os complexos. E cerca 30% de
gordura e 20% de proteínas.
Dentre
os açúcares, os mais comuns são:
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Sacarose: o açúcar da cana, da qual se
fabrica o açúcar branco ou o mascavo;
·
Frutose: presente nas frutas e mel
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Lactose: o carboidrato do leite
Já
os amidos são encontrados em tubérculos, como a mandioca e a batata, além de
cereais e leguminosas.
O endocrinologista e pesquisador em
obesidade da Unicamp Bruno Geloneze explica ainda que podemos sintetizar a
glicose a partir da proteína e da própria gordura também. Isso é feito
predominantemente pelo fígado, um pouco pelos rins e também pelas células do
tubo digestivo do intestino.
“A grande questão é que, com a
industrialização e o processamento dos carboidratos, a oferta de carboidratos
simples aumentou e, por consequência, a de glicose também. Sem contar que
costumam ser alimentos mais calóricos e com alto índice glicêmico. Isso explica
o aumento acentuado da incidência de obesidade e sobrepeso no mundo nas últimas
décadas”, acrescenta Machado.
A orientação é que as refeições sejam
diversificadas e contenham alimentos “in natura”, com o mínimo processamento.
Exemplo: saladas cruas, frutas com casca, legumes cozidos no vapor e grãos
inteiros. E a associação de carboidratos com proteínas é indicada para regular
a absorção e otimizar o aproveitamento dos nutrientes.
O
LIMITE DE AÇÚCAR LIVRE TOLERÁVEL POR DIA
O ser humano não precisa de nada de
açúcares livres (adicionados a alimentos e bebidas e açúcares naturais
encontrados em mel, xaropes e sucos de frutas). Mas a OMS recomenda que o
consumo deles não ultrapasse 10% da ingestão calórica total diária em pessoas
sem doenças como diabetes, obesidade metabólica, gota ou excesso de ácido
úrico.
Para benefícios adicionais à saúde, a
OMS sugere uma redução para cerca de 5% de (açúcares livres) das calorias
diárias, o que equivale a aproximadamente 25 gramas (ou cerca de 6 colheres de
chá) de açúcar por dia para um adulto com uma dieta de 2.000 calorias.
Já a American Heart Association (AHA)
recomenda limites ainda mais baixos, indicando que os homens não consumam mais
de 36 gramas (ou 9
colheres de chá) e que as mulheres não ultrapassem 25
gramas (ou 6 colheres de chá) por dia.
Essas orientações visam reduzir o
risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças
cardiovasculares. Especialistas destacam a importância de uma dieta equilibrada
- rica em alimentos minimamente processados - que inclua frutas, vegetais,
grãos integrais e proteínas magras.
O
AÇÚCAR ORIUNDO DE ALIMENTOS INTEGRAIS DESEMPENHA FUNÇÕES ESSENCIAIS NO NOSSO
ORGANISMO:
·
Fonte de energia: a glicose é a
principal fonte de energia para nosso corpo.
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Regulação do metabolismo: quando
consumimos carboidratos, o corpo o converte em glicose, que é então utilizada
ou reciclada como glicogênio no fígado e músculos para uso futuro
·
Função cerebral: para o cérebro, a
glicose é a principal fonte de energia. A glicose é crucial para a função
cognitiva, incluindo memória e aprendizado
·
Sistema imunológico: em quantidades
adequadas, a glicose pode ajudar a manter o sistema imunológico mais eficiente.
“A exclusão dos carboidratos de uma
dieta não encontra, na literatura atual, base para sustentar sua recomendação
como proposta para emagrecimento, em virtude das consequências em longo prazo,
sem falar da dificuldade de adesão”, destaca o médico nutrólogo e professor da
Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) Fabiano Robert.
Quando consumimos açúcar, ele é
rapidamente absorvido na corrente sanguínea, elevando os níveis de glicose no
sangue. O pâncreas responde liberando insulina, um hormônio que ajuda a
transportar a glicose para as células, onde é utilizada como energia. E o
excesso de glicose pode ser armazenado como gordura.
Nós obtemos o açúcar que precisamos
por meio de:
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Carboidratos complexos: encontrados em
grãos integrais, legumes e tubérculos (como batatas e mandioca). Além da
glicose, são ricos em fibras, vitaminas e minerais, que são importantes para a
saúde de forma geral.
·
Outros açúcares de fontes naturais: a lactose (açúcar
do leite) e a galactose. O leite e os produtos lácteos são boas fontes de
carboidratos que contêm lactose. Além disso, os lácteos são alimentos
essenciais à nossa saúde, principalmente no que diz respeito aos ossos.
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Verduras: as verduras,
mesmo que em menor quantidade, também oferecem açúcares para a dieta, além dos
outros nutrientes fundamentais como minerais e vitaminas.
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Frutas: somente o açúcar
das frutas não só garante a ingestão adequada de energia.
“É importante ter uma dieta equilibrada
que inclua uma variedade de fontes de carboidratos, em vez de depender apenas
dos frutos das frutas. Isso não só garante a ingestão adequada de energia, mas
também uma variedade de nutrientes necessários para a saúde”, afirma Robert.
⚠️ O consumo em
excesso de açúcar (carboidratos simples) associado a menor ingestão de fibras e
também ao sedentarismo pode levar a:
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Obesidade
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Diabetes: porque ocorre
uma sobrecarga para o pâncreas, produtor de insulina
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Doença gordurosa do fígado associada a
distúrbios do metabolismo
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Cáries dentárias
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Inflamação: dietas ricas em
açúcar podem promover uma inflamação crônica no corpo, que está ligada ao
desenvolvimento de várias doenças, incluindo algumas formas de câncer.
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Síndrome metabólica: o excesso de
açúcar pode contribuir para a síndrome metabólica, um conjunto de condições que
aumentam o risco de doenças cardíacas e diabetes, incluindo hipertensão, níveis
elevados de glicose no sangue e níveis anormais de colesterol.
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Doenças cardiovasculares
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Problemas de saúde mental: estudos
sugerem que uma dieta rica em açúcar pode estar associada a um aumento do risco
de depressão e ansiedade. O consumo excessivo de açúcar pode afetar o humor e a
saúde mental, possivelmente devido às flutuações nos níveis de glicose no
sangue e à liberação de substâncias químicas no cérebro.
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Dificuldades digestivas: o açúcar em excesso
pode afetar a microbiota intestinal, promovendo o crescimento de bactérias
nocivas e levando a problemas digestivos, como síndrome do intestino irritável
e disbiose.
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Aumento do risco de câncer: Embora a relação
não tenha sido completamente compreendida, as pesquisas estão explorando a
ligação entre dietas ricas em açúcar e um maior risco de certos tipos de
câncer. Acredita-se que a inflamação crônica e a resistência à insulina
desempenhem papéis nesse processo.
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Problemas de pele: o consumo excessivo
de açúcar pode levar a problemas de pele, como acne, devido às suas influências
sobre a insulina e a produção de sebo.
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Hipertensão
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Cânceres do trato digestivos
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Doenças coronarianas
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Cirrose hepática em indivíduos não
alcoolistas
“O açúcar propriamente dito de adição surge de uma maneira
mais difundida a partir do ciclo da cana de açúcar no Brasil. Até então, por
milhares e milhares de anos, a única fonte de açúcar propriamente dita
alcançada pelos seres humanos, principalmente os nossos antepassados na
pré-história, seria no máximo, conseguir alguma fonte de mel que é praticamente
o açúcar em outro estado físico. Obter açúcar de beterraba, cana de açúcar são
grandes evoluções mais contemporâneas”, complementa Geloneze.