Medida fitossanitária é adotada em lavouras de mamão na Região do Extremo Sul da Bahia

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Ocasionada pelo vírus da Mancha Anelar do Mamoeiro (Papaya ringspot vírus – type P – PRSV-P), as plantas atacadas por essa praga não se recuperam, sofrendo drástica redução no porte e na produção, podendo chegar à morte.

As viroses do mamoeiro constituem, atualmente, o maior entrave à implantação e manutenção da cultura do mamão. Ocasionada pelo vírus da Mancha Anelar do Mamoeiro (Papaya ringspot vírus – type P – PRSV-P), as plantas atacadas por essa praga não se recuperam, sofrendo drástica redução no porte e na produção, podendo chegar à morte. O vírus possui característica itinerante, sendo necessária a aplicação da prática do “roguing” (corte) da planta afetada.

De acordo Flávia Lopes, coordenadora do Projeto Prevenção e Controle das Pragas do Mamoeiro, “a falta de compromisso de alguns produtores têm dificultado o controle efetivo das viroses do mamoeiro. A dispersão do vírus é muito rápida e os valores das multas são relativamente baixos, o que dificulta o controle da praga”.

Diante deste cenário, a Agência de Defesa Agropecuária – ADAB, vinculada a Secretaria da Agricultura (SEAGRI), em parceria com o Ministério da Agricultura – MAPA; da Associaçãodos Produtores e Exportadores de Papaya – BRAPEX; do Ministério Público e com o apoio da CIPPA, realizaram Ação de Corte Compulsório numa fazenda produtora de mamão, localizada no município de Eunápolis. A medida foi tomada após emissão de vários Laudos de Inspeção e Laboratorial, Termos de Notificação e Interdição, ao produtor, que não cumpriu as determinações da Portaria Estadual nº 086, de 17 de abril de 1998.

A BRAPEX participou da ação de erradicação, através de Termo de Cooperação Técnica, apoiando os trabalhos com a cessão de 27 fitossantaristas para a execução do corte das plantas infectadas. A equipe da Coordenadoria da ADAB de Teixeira de Freitas, através do coordenador Regional, Vinícius Vieira, e do gerente técnico, Cláudio Wermelinger da Fonseca conduziram e apoiaram as etapas da ação. Engenheiros agrônomos, médicos veterinários, técnicos agropecuários e auxiliares de fiscalização ajudaram nos trabalhos de execução e comando. Foram erradicados cerca de 46 hectares com aproximadamente 64 mil plantas, todas infectadas e em estágio bem avançado da praga Mancha Anelar do Mamoeiro.

De acordo com o diretor de Defesa Sanitária Vegetal, Armando Sá, “ações como essas continuarão sendo realizadas, contando com todo o amparo técnico-legislativo, sempre que necessário. Vale salientar que o efetivo controle das viroses do mamoeiro, iniciado nos anos 80, no Espírito Santo, e conduzida eficientemente até os dias atuais por produtores capixabas, do Extremo Sul e Oeste baiano, e do Rio Grande do Norte, tem permitido que o
Brasil permaneça um dos maiores produtores e exportadores de mamão do mundo”.

“Esta cadeia produtiva é de extrema importância econômica para o nosso Estado, empregando em média dois trabalhadores por hectare, numa produção que acontece durante todo o ano. Responsável por 45% da produção de mamão do Brasil, a Bahia é o maior produtor nacional e segundo maior exportador, sendo referência internacional em qualidade e condução das lavouras”, ressaltou o secretário da Agricultura, Vitor Bonfim.

O extremo sul baiano é a região que mais produz a fruta no Estado, com 683 mil toneladas ao ano e 6.500 ha de área plantada. A comercialização com outros países movimentou, em 2014, mais de U$9 milhões na Bahia, segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A fruta é exportada para a Europa, Estados Unidos, Canadá e Emirados Árabes, e chega a 48 países.


Fonte: ASCOM SEAGRI/ASCOM ADAB