União mantém o maior símbolo do Shokonsai em seu centenário mesmo durante a pandemia

Ritual das velas foi realizado com restrições na tarde deste domingo (12) no Cemitério Japonês de Álvares Machado (SP).

Evento que representa o Dia de Finados da colônia japonesa completou 100 anos.

Shokonsai completou 100 anos neste domingo (12) Heloise Hamada/G1 Cem anos sem chuva.

Cem anos com as chamas acesas.

Cem anos de união.

Neste domingo (12), o Shokonsai chegou ao seu centenário.

O evento no Cemitério Japonês em Álvares Machado (SP) precisou ser adaptado por causa da pandemia da Covid-19.

Mesmo sem a grande festa planejada, o ritual das velas manteve a essência desta tradição ainda mais intensa: reverenciar os antepassados não importa o que aconteça. Foi uma volta ao início, já que o culto aos antepassados começou em 1920 de uma forma simples, seguindo os moldes do Obon, o evento de finados no Japão.

Apenas em 1921, o evento ganhou o nome de Shokonsai, que significa “convite às almas”.

Durante as dez décadas, os descentes dos primeiros imigrantes japoneses que se instalaram em Álvares Machado mantiveram a tradição e fizeram do evento algo único.

Todo segundo domingo de julho foi muito festejado com apresentações de dança, música, comida típica, oração e gratidão aos que já se foram. Toda a área do Cemitério Japonês e o Shokonsai são mantidos pela Associação Cultural, Esportiva e Agrícola Nipo-Brasileira de Álvares Machado (Aceam).

O local é um símbolo de resistência.

Conforme a Aceam, o cemitério foi criado diante da dificuldade em levar os mortos a pé para Presidente Prudente, a 15 quilômetros dali.

Foram sepultadas 784 pessoas.

Apenas uma não é japonesa ou descendente.

Contam os mais antigos, que o Manoel morreu defendendo japoneses.

No período da Segunda Guerra Mundial, entre 1939 a 1945, o presidente Getúlio Vargas proibiu os enterros no local, que considerou um ponto de discriminação racial. Há ainda outros sinais de resistência.

Na mesma área do cemitério foi fundada pelos imigrantes a primeira escola japonesa.

Foi a maneira encontrada para proporcionar um futuro melhor às crianças.

Já o palco de madeira representa a luta pela preservação da cultura, seja da música, da dança ou do teatro.

Esses três espaços foram tombados como patrimônio histórico em 1980. Shokonsai completou 100 anos neste domingo (12) Heloise Hamada/G1 Ritual das velas O evento já chegou a reunir 3 mil pessoas.

Em meio à pandemia da Covid-19, para evitar aglomerações, somente o ritual as velas foi mantido, com muitas restrições.

Neste domingo (12), o local permaneceu aberto para visitação.

Conforme a Aceam, cerca de 50 famílias compareceram.

“Controlamos o acesso, disponibilizamos álcool em gel e medimos a temperatura de todos que entraram, além de orientar a evitar aglomerações.

Nós resolvemos manter o ritual das velas porque é uma coisa mística, representa bem toda cerimonia que fazemos no Shokonsai e ritual das velas ficou marcante durante esses anos”, explicou o vice-presidente da Aceam e coordenador do centenário, Luiz Takashi Katsutani. Para evitar a presença de idosos, os jovens da associação foram convocados previamente.

Cerca de 20 pessoas colocaram as velas nos túmulos para depois fazer o acendimento.

Este é considerado o momento mágico, já que o vento para e todas as chamas permanecem acesas até todas as velas queimarem. Chamar novos membros para fazer parte deste momento também é uma forma de manter a tradição viva.

“Para nós é motivo de satisfação ver os jovens participando.

Eles são uma força nova para manter o Shokonsai”, falou o vice-presidente. Shokonsai completou 100 anos neste domingo (12) Heloise Hamada/G1 “É importante tentar manter a tradição, principalmente a gente que é jovem, tentar manter o ritual para passar para as gerações futuras.

É uma forma de gratidão aos nossos ancestrais”, destacou a acupunturista Daniele Kanashiro Sonvenso.

A engenheira Michelle Ywata também participou pela primeira vez.

“É muito gratificante poder ajudar e poder contribuir para manter a cultura que vem sendo mantida durante esses 100 anos”, disse. Mesmo com tudo mais simples, o culto e a reverência aos antepassados continua.

O segundo domingo de 2020 vai ficar marcado não apenas pelo centenário, mas também por ter sido mais um ano em que a união ajudou a superar mais um momento difícil e a manter a tradição viva. “Sem dúvida alguma é muito gratificante poder fazer isso, se esforçar para manter o Shokonsai e continuar a reverenciar os antepassados.

Mesmo sem o evento, vimos a valorização desse centenário”, finalizou Katsutani. Shokonsai completou 100 anos neste domingo (12) Heloise Hamada/G1 Shokonsai completou 100 anos neste domingo (12) Heloise Hamada/G1 Shokonsai completou 100 anos neste domingo (12) Heloise Hamada/G1 Confira abaixo as reportagens especiais sobre o centenário do Shokonsai. Shokonsai chega aos 100 anos de história com muita gratidão e mistérios em Álvares Machado Educação, cultura e reverência aos antepassados marcam o centenário do Shokonsai Ritual das velas no Shokonsai proporciona momentos únicos aos amantes da fotografia Shokonsai completou 100 anos neste domingo (12) Heloise Hamada/G1 Shokonsai completou 100 anos neste domingo (12) Heloise Hamada/G1 Shokonsai completou 100 anos neste domingo (12) Heloise Hamada/G1 Shokonsai completou 100 anos neste domingo (12) Heloise Hamada/G1 Veja mais notícias em G1 Presidente Prudente e Região.

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