Eleição desta terça dá maioria a 'independentes' e reduz espaço de Aras no Conselho Superior do MP

Eleição foi interpretada como um recado sobre a insatisfação da categoria com o atual chefe do Ministério Público Federal, o procurador-geral da República, Augusto Aras.

A eleição nesta terça-feira (30) de novos integrantes para o Conselho Superior do Ministério Público Federal resultou em uma nova composição, cuja maioria não é totalmente alinhada ao procurador-geral da República, Augusto Aras. Isso quer dizer que, em alguns temas, o chefe do MPF pode vir a ser acompanhado pelo colegiado, mas em outros pode ficar em minoria.

Os chamados "independentes" são considerados ainda mais sensíveis aos pleitos da base da categoria. O Conselho Superior do MPF tem dez integrantes — um dos quais o próprio Aras — e é o órgão responsável por decidir as principais questões administrativas na instituição. Nesta terça, foi eleito o subprocurador-geral da República José Bonifácio de Andrada e reconduzida a subprocuradora-geral da República Maria Caetana Cintra Santos.

Os dois tiveram 40 votos. José Bonifácio de Andrada chegou a ser escolhido por Aras para ser vice do atual procurador-geral.

Mas em março, por divergências, ele deixou o cargo, considerado o número 2 na hierarquia da Procuradoria Geral da República. Andrada agora se junta aos colegas que se declaram independentes — Mário Bonsaglia, Nicolau Dino, José Adonis Araújo Sá, Luiza Frischeisen e José Elaeres.

José Adonis chegou a chefiar a Lava Jato no mandato de Aras, mas também deixou o posto por discordâncias com o PGR. José Bonifácio de Andrada derrotou Hindemburgo Chateaubriand Pereira Diniz Filho, que buscou a reeleição com o apoio de Aras.

Obteve 38 votos e acabou derrotado na disputa. Maria Caetana é considerada aliada do procurador-geral da República, que conta ainda com os apoios de seu vice, Humberto Jacques de Medeiros, e de Alcides Martins.

Em caso de empate, Aras tem direito ao voto de minerva. Camarotti: ‘No Ministério Público Federal se estabeleceu um ambiente de desconfiança’ Internamente, a eleição deste ano foi vista como um recado sobre a insatisfação da categoria com o atual chefe do Ministério Público. A subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, chefe da Operação Lava Jato em Brasília, chegou a apresentar candidatura, mas desistiu da disputa após protagonizar embate com as forças-tarefas da operação em razão de pedido de acesso dados da operação.

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