Prazo de Preto Casagrande se esgota, e Bahia volta a adotar a lei do silêncio

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Prazo de Preto Casagrande se esgota, e Bahia volta a adotar a lei do silêncio

Diretoria decide não se posicionar após chegar ao fim o prazo de cinco jogos dado a Preto no comando técnico do Bahia


Por Rafael Santana, Salvador

 

Diego Cerri e Pedro Henriques conversam com Preto Casagrande (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia)Diego Cerri e Pedro Henriques conversam com Preto Casagrande (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia)

Diego Cerri e Pedro Henriques conversam com Preto Casagrande (Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia)

O prazo estabelecido pelo presidente Marcelo Sant’Ana para tomar uma decisão a respeito do comando técnico do Bahia se esgotou no último domingo, após a

derrota para o Botafogo, mas, ainda assim, a diretoria adotou mais uma vez a postura do silêncio absoluto. Em entrevista concedida ao programa de rádio do clube na semana passada, o mandatário afirmou que Preto Casagrande teria de quatro a cinco jogos para mostrar serviço e convencer a cúpula tricolor pela sua efetivação. O jogo contra o Alvinegro carioca foi justo o quinto do interino.

Domingo após o jogo, silêncio. Segunda-feira, silêncio. Terça-feira, apesar das tentativas do GloboEsporte.com de conseguir uma posição da diretoria, silêncio. A resposta, que se tornou padrão, foi a mesma: a diretoria não vai se posicionar. Em meio a esse silêncio sepulcral, ninguém tem ideia do que será feito por Marcelo Sant’Ana, Pedro Henriques, vice-presidente, e Diego Cerri, diretor de futebol.

A situação, o prazo dado pela diretoria, tornou-se um grande incômodo para Preto, que trabalhou pressionado pela escolha da diretoria de colocar um prazo no seu trabalho, e também para elenco, que claramente apoia o técnico interino. Depois da partida contra o Botafogo, o treinador foi para a entrevista coletiva sem saber se seria mantido no cargo.

– Não fui informado, não conversamos a respeito. Sou funcionário do clube e tenho me dedicado exclusivamente ao clube, 24h por dia pensando no time, nos adversários, numa maneira de crescer, evoluir. Estou esperançoso de que as coisas possam melhorar pelo fato de ter 15 dias para trabalhar esses jogadores – disse o técnico interino.

O “sinal de vida” dado pela diretoria aconteceu na tarde desta terça-feira, quando Diego Cerri e Pedro Henriques desceram para conversar com Preto e, em seguida, reuniram o elenco em um dos campos do Fazendão. Os jogadores puderam se posicionar, e Hernane Brocador, que se recupera de lesão, e o colombiano Mendoza falaram bastante.

O silêncio e a demora na tomada de decisão expõem uma diretoria com dificuldade para tomar a decisão no momento em que o Brasileirão se afunila. Na mesa estão a falta de convicção no trabalho do interino e a escassez de treinadores no mercado, algo que já era sabido no momento em que se decidiu pela demissão de Jorginho.

A falta de opções no mercado se agravou ainda mais com a mudança de opinião de um dos cotados. Eduardo Baptista, que chegou a se mostrar aberto a aceitar um trabalho na Bahia, decidiu que não pretende mais voltar a treinar este ano. O tempo, inclusive, é um adversário a mais. Com eleição marcada para dezembro, a diretoria não teria como oferecer um contrato com prazo maior.

Assim, os dirigentes tricolores correm contra o tempo. Afinal, essas duas semanas (já se foram três dias) de folga na tabela se apresentam como a oportunidade ideal para ajustar o time, que teve uma queda de rendimento e se aproximou perigosamente da zona do rebaixamento.