Análise: eficiência e defesa sólida marcam feito gigante do Vitória sobre o Corinthians

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Análise: eficiência e defesa sólida marcam feito gigante do Vitória sobre o Corinthians

Rubro-Negro aproveita única oportunidade do primeiro tempo e marca gol que deu triunfo sobre o líder do Campeonato Brasileiro; time se fecha bem atrás e segura paulistas


Por Ruan Melo, Salvador

 

Melhores momentos: Corinthians 0 x 1 Vitória pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro

Melhores momentos: Corinthians 0 x 1 Vitória pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro

Quem diria que o Vitória seria o time capaz de fazer o que ninguém conseguiu até aqui no Campeonato Brasileiro? Então penúltimo colocado na Série A e com o retrospecto recente de uma derrota dolorosa em casa para o Avaí, o Rubro-Negro tinha pela frente o líder absoluto da competição, dono de uma invencibilidade de 34 jogos na temporada e que ostentava mais um jogo de casa cheia. Mas o cenário que se desenhava para mais um bom resultado para os paulistas não se comprovou dentro de campo. Eficiente e fiel à sua estratégia, o Leão,

Para se entender como aconteceu o feito do Vitória é preciso deixar claro que o resultado deste sábado não foi por acaso. Ele foi ensaiado. Ao longo da semana, nos treinos abertos para a imprensa, o técnico Vagner Mancini preparou o time para o que estava por vir. Mancini fez os jogadores titulares atuarem de forma reativa, esperando os reservas no seu campo para aproveitar uma roubada de bola, sair no contra-ataque e marcar o gol. Justamente como ocorreu o gol de Tréllez na etapa inicial. Veja aqui como foi uma das atividades.

– Eu não sei se tem receita, mas, acima de tudo, você tem que estar equilibrado em campo, com organização tática e estudar o Corinthians. O Corinthians tomou um gol de um lance que foi muito estudado por nós. Foi uma saída de bola onde eles perderam a bola e tomaram o contra-ataque. Estudamos isso. Jogamos com a proposta de não jogar por dentro, jogar por fora porque o Corinthians está armado para isso. Eles têm dois volantes que roubam muito a bola e saem rápido no contra-ataque com os outros quatro que jogam na frente. Nós estudamos o Corinthians. Todas as outras equipes também estudam e, às vezes, aquilo que você propõe não dá certo no jogo porque você toma o gol no início do jogo e tem que mudar a proposta. Mas eu acho que a forma mais inteligente de jogar contra o Corinthians hoje é saber ter posse de bola em primeiro plano. O Corinthians te dá a posse de bola, mas ele quer jogar no seu erro. E quando menos você erra, mais você tira o Corinthians do jogo dele. A proposta que nós tínhamos era causar algum desforto ao Corinthians. Claro que o gol logo no começo do jogo fez com que ele tivesse que se abrir mais. Mas a gente estudou bem todas as possibilidades – disse Mancini após a partida.

E não foi somente no lance gol. O Vitória atuou de forma reativa ao longo de todo o jogo. Não por acaso, a partida terminou com 66% de posse de bola para os paulistas, contra 34% para o Rubro-Negro. No primeiro tempo, o domínio dos mandantes chegou a 77%. Recuado no seu campo de defesa, com duas linhas de quatro e apenas Tréllez e Neilton à frente, o Vitória esperava o Corinthians para aproveitar um vacilo do rival e sair em velocidade.

Imagem mostra primeiro tempo do jogo: Vitória recuado e todos os jogadores do Corinthians no campo de ataque (Foto: Diego Ribeiro)Imagem mostra primeiro tempo do jogo: Vitória recuado e todos os jogadores do Corinthians no campo de ataque (Foto: Diego Ribeiro)

Imagem mostra primeiro tempo do jogo: Vitória recuado e todos os jogadores do Corinthians no campo de ataque (Foto: Diego Ribeiro)

Apesar de não ter sido vazado ao longo de todo o jogo, o Vitória não teve vida fácil e chegou a sofrer muito no primeiro tempo, principalmente depois que marcou o gol. Àquela altura, a equipe baiana, recuada na sua defesa, tinha dificuldade para segurar a bola na frente e anular o repertório do Corinthians: tabelas por dentro, infiltrações, trabalho de Jô como pivô e jogadas de linha de fundo dos seus laterais. Por conta disso, os paulistas chegaram algumas vezes com perigo e terminaram a etapa inicial com 12 finalizações contra uma apenas do Vitória. A do gol de Tréllez.

Mas o Vitória conseguiu se segurar, ora contando com a dedicação de todos os seus jogadores na marcação, ora com a partida segura dos seus zagueiros, principalmente nas bolas alçadas na área (foram 43 do Corinthians ao longo de todo o jogo), além da atuação de Fernando Miguel e, claro, com a sorte comprovada no lance em que Balbuena cabeceou livre na área. E de, quebra, o time acertou um contra-ataque para marcar o seu gol.

Depois de um primeiro tempo de domínio do Corinthians no campo de defesa do Vitória, esperava-se uma etapa final de pressão dos mandantes. Mas isso não aconteceu em nenhum momento. O Rubro-Negro ainda fez um segundo tempo mais seguro, dessa vez impedindo as jogadas por dentro do Corinthians, que passou a abusar dos cruzamentos sem sucesso. O Vitória acertou mais os botes e atrapalhou a linha de passe do rival. Embora Fernando Miguel tenha sido exigido algumas vezes, os lances foram isolados. Na frente, o Vitória, enfim, começou a acertar o passe final nos contra-ataques e ameaçava mais. O problema, dessa vez, era finalização. Neilton e Patric perderam grandes oportunidades.

No fim das contas, é inegável que o Vitória saiu de Itaquera com um resultado gigante. Embora, visualmente, o triunfo não tenha feito grandes mudanças na situação do time na tabela do Brasileiro, o ganho emocional é imenso e com capacidade para trazer grandes frutos no futuro. Resta agora ao Rubro-Negro fazer a sua parte e manter a regularidade nos próximos jogos, seja contra adversários no topo da tabela, seja diante de rivais com campanhas mais modestas.